terça-feira, 11 de junho de 2013

O que é Fonoaudiologia Educacional?


A Fonoaudiologia Educacional é uma área relativamente nova dentro da profissão. Há muitas dúvidas sobre qual a inserção e atuação do fonoaudiólogo educacional.

Vamos vincular as legislações e normatizações vigentes em território nacional,  que dão respaldo à ação Fonoaudiológica Educacional:

A lei federal que regulamenta a profissão de Fonoaudiologia é a nº 6.965 de 1981. Nela constam as competências do fonoaudiólogo. 
 "Fonoaudiólogo é o profissional, com graduação plena em Fonoaudiologia, que atua em pesquisa, prevenção, avaliação e terapia fonoaudiológica na área de da comunicação oral e escrita, voz e audição, bem como em aperfeiçoamento dos padrões da fala e da voz" ( Lei nº6.965, Art.1º, parágrafo único).
O Conselho Federal de Fonoaudiologia lançou, em abril de 2005, a Resolução nº309 que dispõe sobre a atuação do Fonoaudiólogo na educação infantil, ensino fundamental, médio, especial e superior. O Art. 1º, em todos seus parágrafos, mostra a riqueza da ação fonoaudiológica educacional além do atendimento clínico, dentro da equipe pedagógica, potencializando a comunicação humana e o processo de ensino-aprendizagem.O Art. 2º desta resolução dá ao profissional argumento sólido para recusar uma prática, infelizmente, solicitada de forma comum pelos gestores e equipes pedagógicas menos informadas. Este veto é essencial para que o fonoaudiólogo educacional possa mostrar à equipe que dentro da escola, no turno ou contra-turno escolar, não é salutar a prática clínica.

Em setembro de 2010, o Conselho Federal de Fonoaudiologia emite a Resolução nº387, que dispõe sobre as atribuições e competências do profissional especialista em Fonoaudiologia Educacional reconhecido pelo CFFa. A Resolução nº387 norteia os fonoaudiólogos, mesmo os não especialistas, como citado no Art.5º.

Esta Resolução, pela importância que tem, ofereço a vocês na íntegra:

RESOLUÇÃO CFFa nº 387, de 18 de setembro de 2010


“Dispõe sobre as atribuições e competências do profissional especialista em Fonoaudiologia Educacional reconhecido pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, alterar a redação do artigo 1º da Resolução CFFa nº 382/2010, e dá outras providências.”
[...]

Art. 2º - O profissional especialista em Fonoaudiologia Educacional está apto a:

I - atuar no âmbito educacional, compondo a equipe escolar a fim de realizar avaliação e diagnóstico institucional de situações de ensino-aprendizagem relacionadas à sua área de conhecimento;


II - participar do planejamento educacional;


III - elaborar, acompanhar e executar projetos, programas e ações educacionais que contribuam para o desenvolvimento de habilidades e competências de educadores e educandos visando à otimização do processo ensino-aprendizagem;


IV - promover ações de educação dirigidas à população escolar nos diferentes ciclos de vida.


Art. 3º - As competências do profissional especialista em Fonoaudiologia Educacional ficam assim determinadas:


1- Área do Conhecimento:
O profissional especialista em Fonoaudiologia Educacional deve conhecer as políticas de educação definidas em âmbito federal, estadual e municipal, bem como os programas, projetos e ações relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem. Deve também atuar em parceria com os educadores visando contribuir para a promoção do desenvolvimento e da aprendizagem do escolar; melhoria da qualidade de ensino; aprimoramento das situações de comunicação oral e escrita; identificação de situações que possam dificultar o sucesso escolar e elaboração de programas que favoreçam e otimizem o processo de ensino-aprendizagem. Deve ter, ainda, conhecimento aprofundado da interrelação dos diversos aspectos fonoaudiológicos com os processos e métodos de aprendizagem no ensino regular e especial.


2- Função: Colaborar no processo de ensino-aprendizagem por meio de programas educacionais de aprimoramento das situações de comunicação oral e escrita; oferecer assessoria e consultoria educacional atuar em gestão na área educacional; atuar em consonância com as políticas, programas e projetos educacionais públicos e privados vigentes.


3- Amplitude: Todas as esferas administrativas e autarquias educacionais voltadas à Educação Básica; Educação Especial; Educação Profissional e Tecnológica; Educação a Distância; Educação de Jovens e Adultos; Educação Superior e Pós-graduação.

4- Competências/Processo Produtivo: O domínio do especialista em Fonoaudiologia Educacional inclui aprofundamento em estudos específicos e atuação em situações que impliquem em:


a) Participar do diagnóstico institucional a fim de identificar e caracterizar os problemas de aprendizagem tendo em vista a construção de estratégias pedagógicas para a superação e melhorias no processo de ensino–aprendizagem.


b) Atuar de modo integrado à equipe escolar a fim de criar ambientes físicos favoráveis à comunicação humana e ao processo de ensino-aprendizagem.


c) Desenvolver ações educativas, formativas e informativas com vistas à disseminação do conhecimento sobre a interface entre comunicação e aprendizagem para os diferentes atores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem: gestores, equipes técnicas, professores, familiares e educandos, inclusive intermediando campanhas públicas ou programas intersetoriais que envolvam a otimização da comunicação e da aprendizagem no âmbito educacional;


d) Desenvolver ações institucionais, que busquem a promoção, prevenção, diagnóstico e intervenção de forma integrada ao planejamento educacional, bem como realizar encaminhamentos extraescolares, a fim de criar condições favoráveis para o desenvolvimento e a aprendizagem;


e) Participar das ações do Atendimento Educacional Especializado - AEE de acordo com as diretrizes específicas vigentes do Ministério da Educação;


f) Orientar a equipe escolar para a identificação de fatores de riscos e alterações ocupacionais ligadas ao âmbito da fonoaudiologia;


g) Participar da elaboração, execução e acompanhamento de projetos e propostas educacionais, contribuindo para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem, a partir da aplicação de conhecimentos do campo fonoaudiológico;


h) Desenvolver ações voltadas à consultoria e assessoria fonoaudiológica no âmbito educacional;


i) Participar de Conselhos de Educação nas diferentes esferas governamentais;

j) Processos de formação continuada de profissionais da educação;


k) Realizar e divulgar pesquisas científicas que contribuam para o crescimento da educação e para a consolidação da atuação fonoaudiológica no âmbito educacional;


4.1- Na educação especial e/ou inclusiva: sensibilizar e capacitar educandos, educadores e familiares para a utilização de estratégias comunicativas que possam favorecer a universalização do acesso ao ambiente escolar, o aprendizado e a inclusão escolar e social;


4.2- Na educação bilíngue para surdos: sensibilizar e capacitar, quando possuir formação para ensino de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), educandos, educadores e familiares para a utilização da LIBRAS e recursos tecnológicos que se façam necessários;


Art. 4º - É vedado ao fonoaudiólogo realizar atendimento clínico/terapêutico dentro de instituições educacionais, exceto em casos salvaguardados por determinações contidas nas Políticas da Educação Especial vigentes.


Art. 5º - As disposições contidas na presente resolução se aplicam também a todos os fonoaudiólogos que atuam na educação, independentemente de possuírem especialização nesta área.


Como é possível observar, a inserção do fonoaudiólogo no contexto educacional não está, apenas, ligada a função clínica. A relevância deste profissional atuando junto ao Sistema Educacional é crescente.



quinta-feira, 6 de junho de 2013

Programa Saúde Vocal do Professor em Anhumas/SP

A Voz, Expressão da Alma!

A Fonoaudiologia, ciência que estuda a comunicação humana em suas manifestações normais e patológicas, se dedica há algum tempo à análise vocal do professor, devido a grande importância que este profissional exerce sobre a formação social, cultural e educacional dos indivíduos.

Para o professor, a função de comunicação tem um papel central no desempenho profissional. Um transtorno vocal pode ter implicações amplas em sua qualidade de vida.

Há uma grande falta de informações, para os professores, sobre o uso e cuidados básicos com a voz. Geralmente, apenas no momento em que a voz começa a falhar, dando sinais de fadiga ou quando se estabelece uma patologia é que o professor desperta para a importância da própria voz e a importância da higiene vocal.

Para que os professores da Rede Municipal de Educação estejam em movimento contrário ao que se expõe acima, implantamos o "Programa de Saúde Vocal do Professor". Afinal, desta forma, caminharemos sempre para "Anhumas, uma cidade cada vez melhor"!

O Programa contempla atividade formativa aos professores, por meio de curso ministrado pela fonoaudióloga, servidora pública municipal efetiva, Dra. Danielle Prandini Gazabini. Há a distribuição de material didático individual de apoio, sob o título "Cartilha de Saúde Vocal do Professor", que em trinta e três páginas contempla os seguintes aspectos:
- Noções básicas de anatomia e fisiologia;
- Reposição hídrica das pregas vocais;
- Respiração;
- Disfonias;
- Voz profissional;
- Voz e professor - relação direta;
- Principais alterações vocais em professores;
- Saúde vocal;
- Técnica vocal;
- Aquecimento e desaquecimento vocal;
- Conculsão;
- Bibliograia.

Dentro do programa, há a elaboração do "Banco de Vozes do Corpo Docente"com coletas semestrais para análise e monitoramento da produção vocal dos professores que lecionam na Rede de Ensino no ano corrente. Para tal, normas técnicas e protocolos vigentes na área de perícia em voz para coleta, gravação e armazenamento das amostras são adotadas com a finalidade de obter fidedignidade de resultados.

Sou aluna da Especialização em Gestão Educacional, pela UNESP. A Profª. Dra. Arilda Inês Miranda Ribeiro solicitou, em sua disciplina, para realizarmos um trabalho em vídeo que levantasse uma problemática com possível solução, dentro do contexto da gestão educacional. Meu grupo escolheu, como tema, "A voz do Professor". A problemática é o desgaste vocal na prática docente, a possível solução é a implantação do "Programa de Saúde Vocal" nas redes de ensino.Compartilho com vocês o vídeo:
      

Fico feliz em cumprir meu papel como profissional da saúde, atuando na prevenção e promovendo qualidade de vida aos professores do Município de Anhumas. Sinto-me mais feliz ainda em poder partilhar e levar a outros esta possível transformação da realidade, combatendo o adoecimento laboral do docente de forma direta.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Distúrbio de Aprendizagem e Dificuldade de Aprendizagem: Existe Diferença?

Autores afirmam que existe diferença!

(FONSECA, 1995; JOHNSON & MYKLEBUST, 1967) 

 


O distúrbio de aprendizagem não deve ser utilizado como sinônimo de dificuldade de aprendizagem, pois o termo "dificuldade" é um termo mais global e abrangente com causas relacionadas ao sujeito que aprende, aos conteúdos pedagógicos, ao professor, aos métodos de ensino e aos ambientes físico e social da escola.

O termo "distúrbio" se refere a um grupo de dificuldades, mais difícil de serem identificadas, mais específicas e pontuais, caracterizadas pela presença de disfunção neurológica, que é responsável pelo insucesso na leitura, na escrita e no cálculo matemático.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Dicas para Mães que Educam!

Mãe, mulher capaz de mudar o futuro de uma nação!

Escrito por Danielle Prandini Gazabini.
Imagens retiradas do site Educar para Crescer.

Quando a mãe se dedica a ler diariamente para seu filho, há muito mais do que incentivo à leitura: Aumenta o vínculo afetivo entre mãe e filho.

Este momento prazeroso, influenciará positivamente na relação que a criança estabelecerá com o processo de ensino - aprendizagem.
 
Mas atenção: As crianças observam o comportamento dos adultos, mais do que os próprios adultos imaginam!

Para incentivar o filho a ler, a mãe deve valorizar a leitura também. Criança dá valor ao exemplo, criança aprende com exemplo.


Valorize a escrita de seu filho! Escrever, com lápis (ou caneta) na folha de papel não está fora de moda. A escrita é ferramenta indispensável para o aprendizado.

A mãe pode transformar a casa em um ambiente estimulante, usando bilhetes na rotina da família ou escrevendo, junto com o filho, a lista para as compras no mercado.


A criança precisa de rotina para realizar as tarefas de casa. A mãe pode ajudar na organização do ambiente favorável para isto. Pode, inclusive, dedicar-se diariamente a ler a agenda do filho, pois este costuma ser o canal mais utilizado de comunicação escola - família.

A mãe não precisa saber a matéria que seu filho está estudando, ela não deve ser "a professora caseira". Seu papel na lição de casa é verificar se o filho a está fazendo diariamente, com a responsabilidade e zelo próprios de cada faixa etária.


 Ter a mãe presente na rotina diária de estudos faz com que a criança sinta-se preparada para superar as dificuldades das matérias, para tirar as dúvidas com os professores no dia seguinte.

A criança que faz lição de casa e possui rotina de estudo diário sente-se segura na hora das provas, apresentando melhores resultados.


Uma grande parte das crianças, vez ou outra, pedem para que as mães deixem-nas faltar à escola. Este pedido é comum, a permissão da mãe não deve ser! A ausência do aluno na escola deve estar ligada a impedimentos sérios, como por exemplo, doença.

A mãe pode (e deve) estimular e incentivar a assiduidade da criança. Manter "pulso-firme" é necessário para que se tenha bom resultado no aprendizado.


A assiduidade dos pais na reunião de pais e mestres também é fundamental! A criança deve ser prioridade dentro da dinâmica familiar, o comparecimento neste evento deve existir.

Quando a mãe está presente nas reuniões, as crianças sentem-se seguras. A comunicação entre escola e família favorece o aprendizado. O vínculo entre professor e mãe beneficia a criança.


Toda criança precisa ter momentos diários de conversa em família. A mãe pode aproveitar a hora das refeições ou o trajeto entre a casa e a escola para demonstrar interesse em como foi o dia da criança.

Perguntas simples, como: "O que você aprendeu hoje?" ou "Como foi seu dia" estreitam laços e reforçam a intimidade entre mãe e filho. 



Toda criança carrega, consigo, criatividade e potencialidades. Para estimular, a mãe pode incentivar a curiosidade de seu filho.

Mostrar o mundo, levantar questionamentos e buscar respostas juntos: Isto proporciona à criança momento de crescimento emocional e cognitivo!


A mulher, revestida do poder da maternidade, é capaz de proporcionar ao filho o que há de mais precioso no universo: Amor.

Com amor e por amor, todas as estradas são possíveis...todas as jornadas são vencidas.

Mãe, caminhe junto a seu filho para que ele aprenda a ler, a escrever, a fazer contas e tudo mais que a escola oferece. Sobretudo, caminhe junto a seu filho na estrada da vida...para que ele aprenda a viver!

Em especial, à minha mãe: Muito obrigada por ter dedicado 

sua vida a me ensinar...Te amo!


Parabéns mães, sejam felizes!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Anhumas longe da Dengue!

 
O PROJETO BAQUARA, sob responsabilidade da fonoaudióloga Danielle Prandini Gazabini e da pedagoga-psicopedagoga Ivone Cardoso Ribeiro, realizou nesta semana de atendimentos individuais e em grupo a campanha de combate à Dengue sob o título: 

"Anhumas Longe da Dengue!"

Dezenas de crianças atendidas pelos serviços de fonoaudiologia e psicopedagogia assistiram um vídeo informativo, disposto em domínio público pela Prefeitura de Niterói, onde o "Agente Mirim" ensinava crianças de todas faixas etárias a contribuir com o fim dos criadouros do mosquito "Aedes Aegyti".Atividades lúdicas foram realizadas para fixação da aprendizagem. 




Foram entregues orientações para levar para casa, com personagens da "Turma da Mônica" que ensinam como evitar criadouros. A finalidade destas orientações é que as crianças possam conscientizar suas próprias famílias a contribuir com hábitos saudáveis e manter, assim, nosso município longe da Dengue.


Um dos grupos assistindo ao vídeo para realizar atividade posteriormente.
Uma das crianças realizando atividade.
Uma das crianças realizando atividade.



















Acreditar na capacidade das crianças em transformar o mundo, é acreditar em um mundo transformado!

segunda-feira, 25 de março de 2013

"Quando o ouvido dói..." - Otite, Linguagem e Aprendizado: Correlações.

Segundo o Jornal de Pediatria, 90% das crianças têm pelo menos um episódio de otite média antes de completar cinco anos de idade, 20 a 30% das crianças menores de três anos de idade apresentam otite média aguda como complicação de uma "Infecção de Vias Aéreas Superiores" (IVAS).

O papel de vários fatores predisponentes está devidamente reconhecido, entre eles alguns modificáveis por nós, como a entrada precoce nas creches, o desmame prematuro, o refluxo gastresofágico não identificado, a posição incorreta na mamada, alergias ou gripes "mal curadas" e a auto-medicação, por exemplo.


A Otite Média Recorrente (OMR) e a Otite Média Secretora (OMS) são a principal causa de perda auditiva leve e moderada na infância. A presença de secreção no ouvido médio acarreta dificuldade de transmissão do som (hipoacusia de condução ou de transmissão), que costuma normalizar quando há cura do processo.

A secreção no ouvido médio costuma provocar perdas auditivas leves, podendo-se encontrar crianças com limiares auditivos em torno de 38 dB. Com esse nível de hipoacusia, as vogais são ouvidas claramente, mas algumas consoantes podem não ser ouvidas. Esse tipo de perda não provoca problemas em adultos ou crianças que já adquiriram a fala, mas, se for crônica ou recorrente, pode acarretar uma discreta dificuldade na aquisição da linguagem em crianças em que esta não esteja estabelecida. Os pais devem ser orientados a chamar a atenção da criança para que esta olhe para eles antes de começarem a falar, e fazê-lo mais alto e mais próximo do que o habitual.

A criança com OMR apresenta flutuação da audição. A audição piora durante o episódio de otite média aguda e melhora quando ocorre a sua cura. A otite média secretora caracteriza-se por ser assintomática, isto é, não provocar febre ou otalgia, mas é acompanhada de perda auditiva leve ou moderada. Além da perda auditiva, as crianças com otite média secretora podem também apresentar distúrbios do equilíbrio, tais como quedas freqüentes e tendência a bater acidentalmente nas paredes ao caminhar. Algumas delas sentem-se inseguras para andar de bicicleta ou dormir no escuro, por exemplo.

É importante que todo o profissional que trabalhe com crianças esteja atento para a possibilidade do problema otológico, pois a criança, ao contrário do adulto, pode passar meses com secreção no ouvido médio sem apresentar queixas. O lactente costuma apresentar atraso na aquisição da fala e demora para começar a caminhar. No ambiente escolar, tanto os pais quanto os professores queixam-se de desatenção e agitação.

A criança com perdas auditivas leves e moderadas costuma fazer trocas de alguns fonemas na fala (dislalia): “t” por “d”, “f” por “v”, “p” por “b”, “q” por “g”. Muitas destas crianças, principalmente se estão em fase de alfabetização, apresentam trocas na escrita, durante o ditado na aula. Este tipo de aluno costuma ser desatento na escola, porque tem dificuldade de ouvir a professora, quando esta não está próxima, tendo mais facilidade de escutar o colega ao seu lado. A mãe relata que ele não atende quando é chamado e ouve o aparelho de som, ou a televisão, alto demais.

A otite secretora que não curar com o tratamento usual para otite média e persistir por mais de três meses é passível de correção cirúrgica que consiste na miringotomia, aspiração das secreções existentes no ouvido médio e colocação de tubo de ventilação. Este mesmo procedimento está indicado para aquela criança que apresentar mais do que três episódios de otite média nos últimos seis meses, principalmente, se ela está na fase de aprendizagem da fala ou no primeiro ano escolar.

Há estudos que mostram relação entre otite média e dificuldades de aprendizagem, como o de Luotonen e colaboradores, na Finlândia, que, num trabalho retrospectivo realizado em 1.708 escolares com nove anos de idade, que haviam apresentado Otite Média Recorrente (OMR) até os três anos, constataram que as meninas apresentavam dificuldades em matemática e concentração na sala de aula, enquanto os meninos tinham mais dificuldades na leitura e atividades orais. Não foi encontrada relação entre otite média recorrente após os três anos de idade e aprendizagem. Concluíram que OMR antes dos três anos de idade tem conseqüências adversas a longo prazo, mesmo quando tratadas.

- Fonte destas informações: Artigo "Otite Média Aguda e Secretora", publicado no Jornal de Pediatria em 1998. -

sexta-feira, 22 de março de 2013

22 de Março - Dia da Água: Água e Voz, uma parceria de sucesso!

Pensando no dia da água, compartilho com os leitores do blog a importância da água para a maior facilidade na fonação.

Professores e Gestores, lembrem-se:

 Evitem abuso vocal...hidratem-se!!!


Hidratação e Reposição Hídrica das Pregas Vocais

Um elemento importante da estrutura da prega vocal é uma camada adicional de muco, externa a ela, sem a qual não poderia vibrar.

Em condições normais, a camada de muco tem a função de facilitar o deslize do ar transglótico pelas paredes laríngeas com o mínimo atrito.

Um fator importante relacionado à camada de muco é a viscosidade das secreções. O regulamento homeostático da distribuição do líquido corporal ocorre por meio do Sistema Nervoso Autônomo, que confere umidade constante à mucosa bucal, faríngea e laríngea.

Fisiologicamente, para que ocorra a mudança na viscosidade das secreções, é necessário que a entrada de fluído afete a quantidade de água no sangue, produzindo mudanças no conteúdo dos tecidos, e, assim ativando a ação osmótica. 

O nível de hidratação deve regular a viscosidade e indiretamente, o nível de pressão de fonação. Nos tratamentos de hidratação visando uma menor viscosidade das secreções da prega vocal, tem-se um menor nível de pressão de fonação, por isto, maior facilidade de fonação.

Após pesquisa literária, observou-se que os autores concordam que ocorre modificação na vibração das pregas vocais em situação de desidratação.


Dia da Água

O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992. O dia 22 de março, de cada ano, é destinado a discussão sobre os diversos temas relacionadas a este importante bem natural.

quinta-feira, 21 de março de 2013

21 de Março - Síndrome de Down: Seu dia para o Mundo!

Quando foi instituído no Brasil?

Segundo pesquisei, a data internacional foi "adotada" pelo Brasil desde 2006. Desde então, trabalha-se neste dia a promoção de dados estatísticos e conscientização sobre o que é esta síndrome.

O que Comemorar?

Sob meu olhar e no meu trabalho, o objetivo deste tipo de "comemorações" é sensibilizar a Sociedade sobre as potencialidades que o indivíduo pode ter, mesmo com suas diferenças, neste caso - a trissomia.

Comemoro, hoje, o incrível privilégio de ter conhecido TODAS as famílias dos portadores desta síndrome nos anos de atuação profissional. Comemoro, sobretudo, a vida de TODOS meus pacientes e amigos "Downs", que tanto ensinam sobre afeto e superação. 

A vocês, meus queridos, parabéns! Felicito pela garra em lutar, pela esperança de vencer, pela fé em viver! 



Em linhas gerais: O que é a Síndrome de Down?

Basicamente, a Síndrome de Down é uma alteração genética, que, em média, ocorre em um a cada 800 nascimentos, sem diferenciação de etnia. Sabe-se, entretanto, que a incidência aumenta de acordo com a idade - mais avançada - da gestante. No Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem cerca de 300 mil pessoas com Síndrome de Down.

Os seres humanos têm 23 pares de cromossomos em seu DNA. No caso dos portadores da síndrome, há um cromossomo a mais no 21º par, sendo, por isso, também chamada de "trissomia do 21". A data escolhida para o dia internacional da Síndrome de Down, 21 de março, faz referência a essa trissomia, já que muitos países optam por colocar o mês antes do dia ao escrever a data. Dessa forma, 21 de março seria 3-21, ou seja, a trissomia do cromossomo 21.

As pessoas com a síndrome apresentam características físicas comuns, como os olhos amendoados, além de dificuldades cognitivas, deficiência mental, variando de leve à moderada, e alguns problemas clínicos associados, como cardiopatia congênita, dificuldade de audição ou visão, distúrbios na tireoide, obesidade e envelhecimento precoce.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Portadores de Déficit do Processamento Auditivo Central - DPAC possuem uma nova opção de tratamento para o transtorno


Portadores de Déficit do Processamento Auditivo Central - DPAC possuem uma nova opção de tratamento para o transtorno (Escrito por Kendra Chihaya, em 20 de Fevereiro de 2013).

Pesquisadores da Universidade do Kansas - EUA desenvolveram um novo programa deterapia para tratamento do transtorno que atinge 7% das crianças em idade escolar ocasionando sérias dificuldades de aprendizagem.


O Centro de Estudos de Distúrbios da Comunicação em parceria com o Centro de Estudos da Família e Serviços Humanos da Universidade do Kansas nos EUA, após diversas pesquisas e testes, está oferecendo uma nova opção de tratamento para o Déficit do Processamento Auditivo Central - DPAC. 

O programa de tratamento desenvolvido pelos cientistas, fonoaudiólogos e médicos da Universidade do Kansas, chamado de EARSS (Enhancing Auditory Responses to Speech Stimuli ), utiliza as respostas auditivas para os estímulos de fala como base do tratamento, adaptando as práticas terapêuticas de cada paciente com base nas evidências de diagnóstico do transtorno de cada caso. 

Antes de iniciar o programa EARSS, as crianças são submetidas a um pré-teste para determinar suas necessidades específicas e assim definir o tempo de tratamento e a melhor forma de abordar a terapia com cada um.

Após, um médico audiologista acompanhado de um fonoaudiólogo encontra-se com o paciente uma hora por semana para participar de atividades que melhoram suas habilidades de processamento auditivo. As escolas em que as crianças estudam também recebem orientações específicas visando auxiliar o tratamento e melhorar a relação com os alunos.

Segundo Debra Burnett, professor e fonoaudiólogo especialista em DPAC do Centro de Estudos da Família da Universidade do Kansas, "Em vez de dar as diretrizes gerais para as escolas, que são capazes de falar sobre as necessidades específicas das crianças e seus pontos forte. Somos capazes de transmitir aos educadores estratégias muito específicas para lidar com o transtorno, porque nós começamos a conhecer as crianças, sabemos de suas dificuldades e acompanhamos o seu progresso." disse Burnett.

No final do programa é executado um pós-teste para avaliar os resultados obtidos e identificar as mudanças no paciente. Os pesquisadores, até o momento, viram resultados positivos com esta nova abordagem para o tratamento do transtorno. Segundo os cientistas, todas as crianças que passaram pelo programa tiveram melhoras significativas nas áreas tratadas. Em áreas que os pesquisadores não "trataram", as crianças não apresentaram nenhuma mudança, mas também não ouve piora do caso. "Com base nesses resultados, nosso programa está mostrando os primeiros sinais de ser eficaz. Percebemos um benefício direto das crianças
tratadas por este novo programa que integra médicos, fonoaudiólogos, pedagogos e a família. ", disse Burnet
.
Algumas das atividades de treinamento do processamento auditivo desenvolvidas com as crianças durante o programa de EARSS são:


- Treinamento da fonêmica para trabalhar a capacidade do cérebro de processar sons da fala;
 - Treinamento de palavras em ruído, que busca trabalhar a capacidade do cérebro de processar a fala com ruído de fundo;
 - Treinamento da síntese fonêmica que trabalha a capacidade do cérebro de processar sons da fala por meio de palavras.

Sobre a Pesquisa

Após participar de uma conferência da American Speech-Language Hearing Association (ASHA) sobre maneiras de incorporar fonoaudiólogos e outros especialistas em terapia para o transtorno do DPAC, Burnett e seus colaboradores iniciaram o programa.

Inicialmente sete crianças com idade entre 8 e 14 anos, diagnosticadas com o DPAC foram selecionadas para o programa que durou em média 06 meses. Após estudos iniciais e testes as crianças passaram pelo programa desenvolvido. Com resultados positivos o programa foi estendido a toda comunidade do Kansas que foram diagnosticadas com o transtorno. Após um ano e meio de implantação do programa, os envolvidos relatam resultados extremamente positivos.

Os pesquisadores, que estão preparando os resultados numéricos do programa, agora planejam publicar os dados em revistas especializadas, além de continuar oferecendo o programa à população, sempre visando melhorar a terapia aplicada.


Sobre o DPAC:

Considerado uma neuropatia auditiva, sendo uma falha do sistema nervoso central, o Déficit do Processamento Auditivo Central - DPAC é uma falha na percepção auditiva, mesmo em pessoas com audição normal. Totalmente diferente da perda auditiva, em geral está associado a dificuldades de aprendizagem e a dislexia. Neste sentido, o DPAC está relacionado com a maneira com que o cérebro decodifica e processa as informações recebidas.

Pessoas com este distúrbio auditivo escutam os sons, mas têm dificuldades de entendê-los, armazená-los e
localizá-los. As informações são ouvidas normalmente, mas há uma deficiência neurológica que prejudica a compreensão das informações.








Gagueira Infantil: O que você precisa saber.



O pai tem, o avô também. Gagueira, em 55% dos casos, é distúrbio determinado por fatores hereditários, mas há casos em que ela se faz notar na infância sem se saber bem por quê. "É a chamada gagueira de desenvolvimento", conta Ísis Meira, psicóloga e fonoaudióloga especializada nesse distúrbio de fluência. "Na criança, ela surge a partir de três anos e isso, sem a presença de lesão ou efeito psicológico". 



Para falar, é preciso que ocorra a ação sincronizada entre inúmeros circuitos cerebrais. Quem sofre do problema da gagueira tem dificuldade com esse processo - problema que pode ser passageiro, persistindo, em geral, até 12 anos. "O importante é trazer a criança para avaliação tão logo os pais reparem em alguns sintomas - retraimento na hora de falar ou respiração afetada pela fala", exemplifica a especialista. Saiba mais sobre gagueira infantil:


1. Nervosismo não é gagueira!


Se seu filho tem tropeços ao falar em situações específicas, como falar em público, fique tranquilo, pois isso nada tem a ver com o problema da gagueira. 

A gagueira está relacionada com a continuidade e o fluxo da fala - o diagnóstico só é feito quando o distúrbio aparece de forma sistemática e persistente. "Não é apenas repetir sílabas, mas também criar interrupções", diz Ísis. "A cada gago corresponde um tipo de gagueira, ela é única."


2. Hesitação pode ser gagueira.

A criança que sempre hesita ao falar pode ter gagueira. Ela prefere ficar em silêncio, envergonhada da sua situação. "É uma criança bastante sensível, que se sente incomodada com o problema da sua fala, o que cria muita tensão, daí ela fazer movimentos atípicos com a cabeça e o próprio corpo", aponta Ísis Meira.

3. Gagueira não determina inteligência.

Criança que sofre de gagueira é tão inteligente quanto a que não tem esse problema. Estudos comprovam que não existem diferenças cerebrais entre gagos e não gagos, o que existem são diferenças de função - áreas do cérebro que são ativadas com a gagueira, o que não deveria acontecer. "O que precisa ficar claro é que a criança com gagueira é criança normal, inteligente, e merece ser tratada como tal", salienta a especialista.

4. Atenção na sala de aula.


A forma de o professor agir com a criança que sofre de gagueira é vital para a sua saúde emocional em sala de aula. 
Ela não pode ficar isolada, nem ser tratada de modo especial. "O professor precisa encontrar o meio termo, ter a sensibilidade necessária para encontrar o modo correto de lidar com a criança gaga", alerta Ísis. "Ela sempre será alvo de bullying, por isso, o professor precisa ter pulso firme com a classe". 



O professor pode ajudar: 

- Inicialmente, até que o gago se ajuste à turma, faça perguntas que possam ser respondidas com poucas palavras. 

- Se cada criança tiver que responder a uma pergunta, chame a que gagueja no início, porque a tensão e a ansiedade podem aumentar enquanto ela espera sua vez. 

- Informe à sua classe que ela terá o tempo de que precisar para responder às questões e que você quer que todos raciocinem bem antes de responder e não apenas que se expressem rapidamente. 
- Oriente os pais a procurarem a ajuda de um fonoaudiólogo.


5. Cuidados em casa.


Em casa, a família não deve tratar a criança gaga de modo diferente ou vai correr o risco de fazê-la se sentir ainda pior, um peixe fora d’água. 

É preciso dar espaço a quem tem gagueira na hora de falar. "O tempo que essa criança necessita para se comunicar é outro, longo, a família precisa aprender a escutar, evitando, por exemplo, que todos falem juntos... Agora, se todos ficarem em silêncio só aguardando, a criança gaga vai se sentir intimidada e se retrair", garante Ísis. É preciso, portanto sensibilidade para encontrar a conduta ideal.


6. Gagueira tem tratamento.


Com o cuidado adequado, a criança que sofre de gagueira aprende a lidar com o distúrbio, alcançando fluência no falar. 
Há inúmeros modos de tratar o problema, mas Ísis Meire faz da observação o seu trunfo. "Cada gago forma uma gagueira, que compromete determinada ação muscular - eu procuro trabalhar de modo a desconstruir essa gagueira", diz a especialista. Com os gagos, ocorrem disfunções musculares em três áreas do corpo, a cervical (pescoço, ombro), a área oral (boca, face) ou a da respiração. 

"Se for localizada na boca, procuro inibir a ação muscular errônea nessa região, estimulando o que precisa funcionar para evitar a gagueira", adianta Ísis. Apesar de não existir receita milagrosa para esse distúrbio de fluência, há, porém, uma certeza: a capacidade de recuperação vai depender da atitude pessoal. "Já tive pacientes que ficavam envergonhados e sofriam num canto, enquanto outros agiam como líderes...", destaca a especialista.


Fonte: Educar para Crescer

A criança que fala errado tem maior probabilidade de escrever errado!

Como a fala certa pode ajudar na escrita.

Você sabe qual é a área do cérebro que utilizamos para escrever? Se não souber responder, não se preocupe. O motivo é simples: não há uma área específica do cérebro para a escrita.


O ato de escrever foi desenvolvido pelo homem a fim de se comunicar. Por não ser algo natural, para realizá-lo acionamos os mesmos mecanismos cerebrais que utilizamos para falar, convertendo assim o som em imagem. "É por isso que quando lemos algo em voz baixa ouvimos nossa própria voz em nossa cabeça", explica fonoaudióloga e psicopedagoga Telma Pantâno. Ou seja, falar e escrever são ações profundamente relacionadas e dificuldades em uma dessas competências podem refletir na outra.

É por isso que o problema da fala não deve ser subestimado. "Uma fala errada, que ao mesmo tempo é irresistivelmente engraçadinha, pode mascarar a dificuldade da criança em se comunicar adequadamente", alerta a também fonoaudióloga Marta de Toledo Prioli.

Muitas vezes, as dificuldades de aprendizagem, comportamento e linguagem são confundidas, o que produz inúmeros diagnósticos equivocados. As crianças acabam sendo rotuladas como problemáticas, quando, na verdade, possuem problemas de comunicação.

Qual a relação da fala com a escrita?
A escrita é a relação entre um som de nossa língua (fonema) e um sinal gráfico (grafema). Normalmente, cada fonema é representado por uma única letra; assim, para representar o fonema /i/, usamos o grafema i. Para escrever, devemos relacionar um som com um sinal gráfico, mas se a produção desse som não for adequada (no caso de quem fala errado), a escrita poderá ficar prejudicada.

Quais são os problemas relacionados à fala?
Algumas alterações são mais evidentes, como gagueira, língua presa e rouquidão, porém outras não são tão óbvias e podem causar grandes transtornos. E os professores muitas vezes não são preparados para diferenciar as alterações de linguagem, fala e voz, que não são a mesma coisa. A presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Irene Marchesan, explica que a linguagem consiste naquilo que se quer dizer, a fala é a articulação dos sons, e a voz, que faz parte da fala, é o som em si, com determinada frequência e intensidade.

As alterações de fala que mais prejudicam o aprendizado da escrita são as de origem perceptiva: a criança, mesmo escutando perfeitamente bem, não percebe auditiva-sinestesicamente as características de um determinado som e por isso não consegue reproduzi-lo.

De acordo com Jaime Zorzi, médico-fonoaudiólogo e especialista em crianças com dificuldade de aprendizagem, o sucesso da comunicação escrita depende muito da comunicação oral. Ele contou a história de dois meninos com dificuldades para aprender a ler e escrever. Jaime ditava aos garotos uma palavra e, na primeira tentativa, o resultado era desastroso: as letras no papel não tinham nenhuma relação com o que fora dito.

Em seguida, Jaime ajudava a criança a escutar os sons das palavras, separando-as em sílabas. Assim, conforme os meninos repetiam em voz alta os sons pretendidos, o resultado melhorava. "Quando falavam, se saíam bem", resume. Ao fonoaudiólogo, assim, cabe trabalhar a oralidade para automatizar escrita.

Quem fala errado tem também maior dificuldade em se fazer entender, gerando problemas de comunicação e de relacionamento. Diante disso, a criança pode reagir de forma agressiva ou introspectiva, mostrando-se insegura e com baixa autoestima, prejudicando o processo de aprendizagem. 
 

Como os professores podem ajudar?
É importante que professores e educadores tenham conhecimento da questão, pois convivem mais com as crianças do que seus médicos e, por isso, podem identificar antes uma disfunção. Se um aluno não consegue acompanhar o ritmo da classe, é preciso investigar o porquê.

Além disso, é importante incentivar as crianças e jovens a falarem em aula. De acordo com Telma, a partir do momento em que ensinamos as crianças a escrever, elas param de falar: "Substituímos a fala pela escrita: o aluno precisa ler e responder por escrito. Quando ele fala, é considerado bagunceiro. Porém, pensar é fundamentalmente linguagem, precisamos saber se eles utilizam corretamente a análise sintática na fala e como isso vai aparecer na escrita. Quanto mais falamos, mais aprendemos a falar", completa.

Segundo a orientadora pedagógica da escola Vera Cruz, em São Paulo, Daniela Pannuti, há casos em que a criança consegue superar eventuais dificuldades, como trocas de letras e omissões de fonemas, no decorrer do trabalho de alfabetização, a partir de atividades propostas pelo professor. Um exemplo de atividade é usar de um repertório estável, como uma lista de nomes dos colegas e das atividades de rotina, afixadas na sala de aula. Conforme se apropria dessa lista e faz associações entre as sílabas da lista com outras palavras, a criança consegue progressivamente corrigir seus erros de fala. 
 

Como os pais podem ajudar?
Uma dica simples e valiosa para os pais: ao conversar com seu filho, use vocabulário apropriado à idade, mas sempre fale corretamente. Nunca infantilize sua fala para imitar o modo de falar dos bebês, como "bincar" ao invés de brincar, "tetê" em vez de mamadeira, pois dessa forma os pais incentivam a criança a persistir no erro.

Cuidar da alimentação também pode ajudar, pois certos nutrientes interferem no processo de fortalecimento da musculatura oral. É imprescindível que as crianças consumam alimentos sólidos para fortalecer tais músculos, assim como o uso de mamadeiras e chupetas não deve ser prolongado, ainda que os bicos sejam ortodônticos.

Quando procurar ajuda?
A atuação clínica é fundamental para corrigir distúrbios da comunicação em geral. A partir do momento em que se corrigem problemas de fala, previnem-se também os de escrita. Da mesma forma, problemas comportamentais também podem ser corrigidos: quando as crianças aprendem a se comunicar, elas param de bater, chutar, morder...

Os distúrbios variam de caso a caso, mas, em geral, se seu filho já completou 4 anos e ainda fala errado, ele deve ser avaliado por um fonoaudiólogo, pois isso evitará danos futuros no processo de alfabetização.